O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão, conseguiu transformar um comentário nas redes sociais em uma grande dor de cabeça política. Ao se manifestar sobre a crise internacional envolvendo a Venezuela, Camarão acabou sendo interpretado como defensor indireto do regime ditatorial de Nicolás Maduro e a repercussão foi imediata e negativa.
Na publicação, o vice-governador afirmou que “um país invadir e bombardear um vizinho na América do Sul e ainda por cima sequestrar seu presidente é um fato gravíssimo”, dizendo que o episódio não pode ser tratado com normalidade. O discurso, no entanto, ignorou completamente o contexto autoritário do governo venezuelano, alvo de duras críticas internacionais por perseguições políticas, censura, prisões arbitrárias e violações sistemáticas dos direitos humanos.
Para tentar dar um tom mais profundo ao posicionamento, Felipe Camarão apelou para a Bíblia, citando trechos dos livros de Daniel e do Apocalipse. Segundo ele, as Escrituras não exaltam governantes, mas denunciam sistemas de poder que transformam a força em verdade e exigem obediência cega. A estratégia, longe de amenizar, só aumentou a polêmica.
Nos bastidores políticos, a avaliação é unânime: o vice-governador “pisou na bola”. Em vez de condenar claramente uma ditadura já amplamente rejeitada no cenário internacional, preferiu um discurso genérico que acabou soando como pano quente para Maduro. Resultado: desgaste político, críticas nas redes sociais e questionamentos sobre seu alinhamento democrático.
Em tempos de redes sociais, não existe meio-termo. Ou se condena ditadura, ou se paga o preço da ambiguidade. E, dessa vez, Felipe Camarão saiu chamuscado, e bastante...

