O prefeito de São Luís, Eduardo Braide, deve dar um passo decisivo antes do fim de março: lançar oficialmente sua pré-candidatura ao Governo do Maranhão. Caso confirme a entrada na disputa, Braide precisará deixar o comando da prefeitura da capital para tentar chegar ao Palácio dos Leões.
Nos bastidores da política maranhense, a avaliação é de que, uma vez confirmada sua pré-candidatura, Braide automaticamente se tornará o principal nome da oposição no estado. A partir daí, a grande disputa passa a ser pela composição da chapa majoritária, especialmente pelas duas vagas ao Senado e pelo cargo de vice-governador.
A disputa pelas vagas ao Senado
Cinco nomes aparecem no radar para compor a chapa ao Senado ao lado de Braide. Destes, dois devem ser os candidatos oficiais.
Entre os nomes mais citados estão:
André Fufuca – atual ministro dos Esportes e uma das principais lideranças do PP no Maranhão.
Felipe Camarão – atual vice-governador e principal nome do PT no estado.
Detinha – deputada federal com forte base municipal e um grupo político que reúne dezenas de prefeituras.
Hilton Gonçalo – empresário e ex-prefeito de Santa Rita, com estrutura política própria.
Eliziane Gama – senadora que deve tentar a reeleição.
Hoje, nos bastidores, o cenário considerado mais provável aponta para André Fufuca e Felipe Camarão como os dois nomes ao Senado.
Existe inclusive uma articulação sendo construída entre Brasília e o Maranhão para aproximar o PT da pré-candidatura de Braide. Nesse cenário, o partido ficaria com uma vaga ao Senado, que seria ocupada por Felipe Camarão.
Já a segunda vaga poderia ficar com André Fufuca, representando a federação formada por União Brasil e PP, atualmente a maior federação partidária do país. Fufuca também é visto como um nome de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca ampliar sua base no Senado caso dispute e vença um novo mandato presidencial.
O impasse envolvendo Fufuca e a federação
Apesar da força política de Fufuca, existe um obstáculo delicado. O PP integra a federação com o União Brasil, e quem exerce grande influência nesse bloco no Maranhão também é o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, do União Brasil, que mantém proximidade com o grupo do governador Carlos Brandão.
Por isso, nos bastidores se avalia que Fufuca pode ter dificuldades para levar toda a federação para o palanque de Braide. Mesmo assim, aliados afirmam que sua pré-candidatura ao Senado seria praticamente irreversível.
Um cenário cogitado seria Fufuca disputar o Senado de forma mais independente, enquanto Braide, ao longo da campanha, acabaria dando apoio político ao ministro.
A situação de Eliziane Gama
Mesmo sendo do mesmo partido de Braide, o PSD, a situação da senadora Eliziane Gama é considerada delicada no tabuleiro político.
Apesar do apoio do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, há avaliação entre analistas de que o posicionamento político adotado por Eliziane ao longo dos últimos anos no Senado pode ter enfraquecido sua base entre setores evangélicos no Maranhão.
Por isso, existe a possibilidade de que sua candidatura seja mantida formalmente, mas perca força durante a campanha, enquanto outros nomes ganham protagonismo.
Hilton Gonçalo e Detinha
O ex-prefeito Hilton Gonçalo aparece como um dos nomes mais estruturados politicamente para disputar o Senado. Mesmo assim, a tendência é que ele não componha diretamente a chapa de Braide, podendo disputar de forma avulsa ou até integrar outro projeto ao governo.
Já a deputada Detinha é outro nome forte no tabuleiro político. Com uma base consolidada em dezenas de municípios, ela tem musculatura eleitoral suficiente para disputar o Senado.
No entanto, nos últimos dias, cresceu nos bastidores uma nova possibilidade: Detinha ser convidada para ser vice na chapa de Braide.
A escolha do vice
A definição da vice-governadoria ainda é um dos maiores mistérios da possível chapa de Eduardo Braide.
Entre os nomes ventilados estão:
Detinha
Eliziane Gama
Um nome feminino fora da política tradicional
Pesquisas qualitativas encomendadas por aliados do prefeito indicariam que o perfil ideal para vice seria uma mulher, com algumas características específicas:
origem na região Tocantina
evangélica
perfil moderado (nem alinhado totalmente à direita nem à esquerda)
com pouca ligação com a política tradicional
A estratégia seria apresentar um nome novo, que seria filiado ao PSD para compor a chapa.
Nos bastidores, a avaliação é de que a montagem da chapa será decisiva para consolidar Braide como um fenômeno eleitoral fora da capital, algo que pesquisas internas já começam a apontar em várias regiões do Maranhão.
Nos próximos meses, as alianças partidárias e os movimentos de Brasília devem definir o desenho final da disputa pelo governo do estado em 2026.

