O nome do senador Weverton Rocha (PDT-MA) aparece em um dos trechos mais graves das decisões que tiveram o sigilo retirado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo reportagem da jornalista Daniela Lima, do UOL, uma das decisões aponta que Weverton teria atuado, de acordo com a Polícia Federal, para tentar travar no Superior Tribunal de Justiça o andamento da investigação sobre o assassinato de um empresário maranhense ocorrido em 2022.
A PF registra ainda diálogos entre o senador e o ministro Humberto Martins, que relatava o caso no STJ. O ministro chegou a ser alvo de uma queixa apresentada ao Supremo pela família do autor do assassinato.
É um capítulo pesado de uma investigação que, longe de ser pequena, alcança políticos, empresários, policiais e integrantes de instituições públicas.
Weverton no centro de suspeita de obstrução
As decisões reveladas mostram que a Polícia Federal apura sucessivas tentativas de impedir ou dificultar o avanço das investigações.
Em um dos despachos, é registrado que medidas consideradas obstrutivas teriam envolvido policiais federais e civis, advogados e políticos, incluindo um senador da República. Também são mencionadas suspeitas de manipulações relacionadas a vagas e indicações para o Tribunal de Contas.
Na sequência, a reportagem identifica Weverton Rocha como o senador citado em um dos braços da apuração e atribui à PF a conclusão de que ele teria tentado interferir no andamento do caso no STJ.
Ou seja: o caso envolvendo Weverton vai muito além de uma simples disputa política ou de mais uma denúncia de bastidor. A investigação trata de uma possível tentativa de embaraçar uma apuração relacionada a um homicídio.
PF precisou afastar agente da própria corporação
Outro ponto explosivo revelado pelos documentos é que a Polícia Federal precisou afastar um de seus próprios agentes.
Segundo os registros, o policial federal Edvar Rodrigues dos Santos teria mantido contatos reiterados e não autorizados com o pai de um investigado preso pelo homicídio e com pessoa diretamente ligada à investigação sigilosa.
O material aponta que o agente teria atuado em benefício do grupo investigado, levando a própria PF a agir internamente para proteger o andamento da investigação.
Investigação envolve corrupção, contratos, emendas e homicídio
O cenário descrito nas decisões é gigantesco.
Flávio Dino registra que as investigações trabalham com a hipótese da existência, no Maranhão, de um chamado “ecossistema empresarial criminoso”, voltado ao desvio de recursos públicos, inclusive emendas parlamentares federais.
Ainda segundo os autos, o homicídio ocorrido em 2022 teria relação com cobranças envolvendo propinas e contratos públicos. Após o crime, teriam ocorrido sucessivas tentativas de obstrução das investigações, desde a Polícia Civil até instâncias superiores do Judiciário.
A PF também aponta suspeitas de fraudes em licitações, desvios em contratos públicos e emendas parlamentares. Em apenas um dos casos citados, os valores movimentados teriam ultrapassado R$ 14 milhões.
Situação de Weverton fica ainda mais delicada
Para Weverton Rocha, o conteúdo revelado coloca uma enorme sombra política sobre sua atuação.
Não se trata, até aqui, de condenação. São elementos de investigação e apontamentos atribuídos à Polícia Federal, que ainda precisam percorrer todo o caminho legal, com direito de defesa e contraditório.
Mas politicamente o estrago é evidente.
O senador maranhense passa a ter seu nome associado, dentro de uma investigação no Supremo, a uma suposta movimentação para dificultar o avanço da apuração de um assassinato.
E quando uma investigação reúne suspeitas de corrupção, contratos públicos, emendas parlamentares, homicídio, obstrução de Justiça e até atuação de policial federal em benefício de investigados, o assunto deixa de ser apenas uma crise política.
Vira um caso que o Maranhão inteiro vai querer acompanhar de lupa na mão.
Fonte: reportagem de Daniela Lima, no UOL, baseada em decisões que tiveram o sigilo retirado pelo ministro Flávio Dino.
