A coisa parece estar boa para quem viaja por conta da Câmara Municipal de Afonso Cunha.
Documentos analisados pela redação revelam uma enxurrada de gastos com diárias no Legislativo municipal. Somando 2025 e os registros apresentados de 2026, a conta chega a R$ 216.915,00.
Em 2025 foram R$ 72.960,00 registrados em diárias. Já em 2026, o valor apresentado praticamente dobrou e alcançou R$ 143.955,00.
E dois nomes aparecem com força no festival de diárias: Júlia Maria Rodrigues Silva, presidente da Câmara, e Weliton da Silva Pereira, tesoureiro da Casa.
Somente em 2026, os registros apresentados apontam R$ 81.315,00 para Júlia e R$ 53.920,00 para Weliton. Juntos, os dois acumulam R$ 135.235,00, cerca de 94% de todo o valor das diárias registrado no documento deste ano.
E prepare o bolso do contribuinte.
No dia 30 de abril de 2026, aparecem R$ 19.500,00 em diárias para Júlia e nada menos que R$ 17.480,00 para Weliton. Dois dias antes, em 28 de abril, foram mais R$ 11.960,00 para a presidente e R$ 7.360,00 para o tesoureiro.
São R$ 56.300,00 em apenas quatro empenhos.
E a torneira não parou por aí.
Em junho aparecem novos registros. Júlia recebeu empenhos de R$ 5.200, R$ 6.500 e outros R$ 6.500. Para Weliton aparecem R$ 3.200 e dois empenhos de R$ 4 mil.
A sequência já vinha de 2025. No dia 6 de junho daquele ano, por exemplo, aparecem dois empenhos de R$ 6.500 para Júlia no mesmo dia, somando R$ 13 mil.
Caso já teria sido denunciado
E a história ganhou um ingrediente ainda mais pesado.
Segundo informação encaminhada à redação, a situação envolvendo os gastos já teria sido denunciada, com uma procuração assinada por dois terços dos vereadores da Câmara Municipal de Afonso Cunha para buscar a apuração do caso.
A informação sobre a denúncia e a procuração foi relatada à redação, mas esses documentos específicos ainda não foram apresentados para conferência. Por isso, não é possível afirmar, neste momento, qual órgão recebeu a eventual representação, qual número de protocolo foi gerado ou exatamente quais fatos foram denunciados.
Ainda assim, caso confirmado documentalmente, o movimento mostra que a insatisfação com a situação ultrapassou o debate de bastidores e mobilizou uma parcela expressiva dos próprios integrantes do Legislativo municipal.
E as viagens?
Agora vêm as perguntas que precisam ser respondidas: para onde foram feitas essas viagens? Quantos dias foram pagos? Qual atividade oficial justificou cada deslocamento? E o que explica empenhos individuais de até R$ 19,5 mil?
A população tem direito de conhecer portarias, destinos, quantidade de diárias, justificativas, relatórios de viagem e respectivas prestações de contas.
E existe outro episódio envolvendo a presidente da Câmara.
Em processo diferente, sem relação demonstrada com as diárias, vereadores acionaram a Justiça contra um ato de Júlia relacionado à eleição da Mesa Diretora. O processo identifica Júlia como presidente da Câmara e registra as alegações dos vereadores contra o Ato da Presidência nº 001/2026.
Na decisão, o magistrado entendeu que a presidente praticou ato que fugia de sua competência ao tratar unilateralmente de matéria que deveria passar pelo plenário. A Justiça então suspendeu imediatamente os efeitos do ato e determinou o prosseguimento do processo eleitoral da Mesa Diretora.
Agora, o holofote está sobre as diárias.
Os documentos analisados comprovam os empenhos e os valores, mas não são suficientes, isoladamente, para comprovar desvio de recursos públicos. O que eles revelam é uma despesa elevada que merece explicações detalhadas e fiscalização.
Porque quando mais de R$ 216 mil aparecem registrados em diárias dentro de uma Câmara Municipal, explicar onde, como e por que esse dinheiro foi utilizado não é favor. É obrigação com o dinheiro do povo.
A redação mantém espaço aberto para manifestação da presidente Júlia Maria Rodrigues Silva, de Weliton da Silva Pereira e da Câmara Municipal de Afonso Cunha.



