A eleição terminou, mas em Timon uma nova disputa política já começou. Agora, o que está em jogo não são votos, mas espaços, influência e capacidade de articulação dentro do novo governo do Maranhão, que será comandado por Eduardo Braide a partir de 1º de janeiro.
A composição do governo ainda está longe de ser definida, mas alguns movimentos já podem ser identificados. E, em Timon, o desenho dessa nova fase passa por algumas peças importantes.
De um lado estão Henrique Júnior e Luciano Leitoa, que estiveram no campo político de apoio a Eduardo Braide durante a eleição. Naturalmente, existe uma expectativa de que esse grupo tenha participação na estrutura do novo governo e possa indicar nomes para espaços em Timon.
Do outro lado está o deputado estadual eleito Leandro Bello.
Leandro chega a esse momento com uma característica política bastante particular. É aliado do prefeito Rafael e, portanto, está integrado ao grupo que administra Timon. Ao mesmo tempo, construiu uma relação próxima com Fernando Braide, irmão do governador eleito e uma das figuras que terão importância na nova configuração política.
Essa equação pode produzir uma situação interessante.
Henrique Júnior e Luciano Leitoa são adversários políticos do prefeito Rafael. Leandro Bello, ao contrário, é aliado do prefeito. Isso significa que a eventual participação de Leandro no novo governo pode representar não apenas um espaço para o deputado, mas também uma ponte entre a Prefeitura de Timon e o Palácio dos Leões.
E essa talvez seja uma das tarefas políticas mais importantes que Leandro terá pela frente: aproximar Rafael do novo governador.
A eleição acabou, os palanques começam a ser desmontados e uma nova realidade política se apresenta. Se Leandro conseguir construir essa aproximação, poderá cumprir um papel de interlocução entre o município e o governo estadual, independentemente das diferenças existentes durante a campanha.
Outro nome que precisa entrar nessa equação é o senador eleito André Fufuca.
Fufuca foi eleito para o Senado com 1.530.187 votos e estará no mesmo campo político de Eduardo Braide no novo cenário estadual. Em Timon, sua relação com o prefeito Rafael acrescenta mais uma variável à composição política local.
A força de Fufuca não estará restrita ao Senado. A tendência é que sua participação na política estadual também se reflita na formação da estrutura do governo, inclusive na indicação de nomes para cargos e espaços nos municípios.
E Timon, nesse cenário, passa a ter uma equação de poder bastante diferente daquela que existia antes da eleição.
Rafael tem um aliado direto no governo eleito através de Leandro Bello. Tem também uma relação política com André Fufuca. Leandro possui mandato estadual e uma relação próxima com Fernando Braide. Do outro lado, Henrique Júnior e Luciano Leitoa possuem a credencial de terem participado do grupo que sustentou a candidatura de Eduardo Braide em Timon.
A questão, portanto, não será simplesmente saber quem apoiou Braide.
Será preciso observar quem terá capacidade de transformar apoio eleitoral em espaço político e quem conseguirá construir uma relação institucional com o novo governo.
E há ainda uma característica do próprio Eduardo Braide que precisa ser considerada.
Durante sua trajetória política, especialmente na Prefeitura de São Luís, Braide construiu uma imagem de gestor com forte presença técnica na administração. Na campanha para o governo, também apresentou um discurso de redução da estrutura e de afastamento da lógica tradicional de distribuição política de espaços.
Isso pode influenciar diretamente a composição do governo.
Braide pode ter aliados políticos, conversar com diferentes grupos e reconhecer a importância das lideranças que estiveram ao seu lado, mas isso não significa necessariamente reproduzir um modelo em que as estruturas administrativas sejam ocupadas predominantemente por indicações políticas.
Por isso, a disputa por cargos em Timon precisa ser observada com alguma cautela.
Não basta ter proximidade política. Será necessário entender qual será o modelo de governo que Braide pretende implantar, quais estruturas serão mantidas, quais serão reduzidas e até que ponto as indicações políticas terão espaço na administração.
É nesse ambiente que Leandro Bello terá um papel a desempenhar.
Além da disputa por espaços para seu grupo, o deputado poderá ser chamado a exercer uma função política mais ampla: ajudar a construir a relação entre Rafael e o novo governo estadual e aproximar interesses do município das decisões do Palácio dos Leões.
O mesmo vale para André Fufuca, que chega ao novo cenário com mandato de senador e relação política com o prefeito Rafael.
Já Henrique Júnior e Luciano Leitoa terão o desafio de transformar o apoio dado a Braide durante a eleição em participação efetiva na nova estrutura de governo.
No fim, a composição de Timon dependerá de uma combinação de fatores: resultado das urnas, alianças construídas durante a campanha, relações pessoais, força institucional, proximidade com o núcleo do novo governo e, sobretudo, o modelo administrativo que Eduardo Braide pretende implantar.
A eleição definiu os vencedores e os derrotados nas urnas.
Agora começa outra etapa.
Em Timon, a disputa será para saber quem conseguirá ocupar espaços, quem terá capacidade de interlocução com o novo governo e quem conseguirá transformar suas relações políticas em influência concreta.
E, nesse novo tabuleiro, Leandro Bello, Rafael e André Fufuca aparecem como peças que precisarão ser acompanhadas de perto nos próximos meses.
