Foi nesta terça-feira (12) que o governo do presidente Lula anunciou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, imposto que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. A decisão foi imediatamente comemorada nas redes sociais oficiais do governo federal, que tentou vender a medida como uma conquista para o consumidor brasileiro.
A situação, porém, chamou atenção pela ironia política: a mesma gestão que agora celebra o fim da cobrança foi justamente a responsável por criar o imposto em 2024, através do programa Remessa Conforme, aprovado pelo Congresso Nacional.
Nas redes sociais, o governo publicou frases em tom festivo como “A-CA-BOU a taxa das blusinhas!” e “O Governo do Brasil tá do lado do povo brasileiro”. O ministro Guilherme Boulos também entrou na campanha digital e comemorou a revogação da cobrança.
A mudança acontece em um momento delicado para a popularidade do governo. A poucos meses das eleições, o imposto sobre compras internacionais vinha sendo apontado como um dos temas de maior desgaste entre consumidores, principalmente entre jovens e trabalhadores que utilizam plataformas estrangeiras para comprar roupas, eletrônicos e acessórios com preços mais baixos.
Mesmo com a revogação parcial, a tributação não acabou completamente. Compras acima de US$ 50 continuarão sujeitas à taxação que pode chegar a 60%, mantendo parte da política de arrecadação criada pelo governo federal.
Nos bastidores políticos, aliados tentam transformar o recuo em gesto de sensibilidade popular. Já opositores afirmam que o Planalto apenas “apagou o incêndio” de uma medida extremamente impopular criada pela própria equipe econômica.
Enquanto isso, os números da arrecadação ajudam a explicar o tamanho da polêmica. Dados da Receita Federal apontam que o imposto arrecadou cerca de R$ 5 bilhões em 2025, após já ter batido recorde em 2024, quando somou R$ 2,88 bilhões.
A Confederação Nacional da Indústria defendia a manutenção da cobrança, alegando que a medida ajudava a proteger empregos e a indústria nacional da concorrência internacional.
No fim das contas, o governo agora tenta transformar em troféu político a retirada de uma taxa que nasceu dentro do próprio Palácio do Planalto. Um roteiro curioso: cria a cobrança, enfrenta desgaste popular, revoga a medida em ano eleitoral e depois sobe no trio da comemoração digital.
